Programação

Sexta-feira - 26 de Novembro de 2021

08h00 Abertura da Sala
08h30 Abertura
08h50 - 09h30 Abordagens Terapêuticas em DTM musculares
Wagner de Oliveira
Dentre as DTMs, as disfunções musculares são as mais prevalentes e com melhor prognóstico. Abordaremos as principais técnicas terapêuticas: aconselhamento e orientações aso pacientes, placas oclusais, farmacoterapia, fisioterapia e acupuntura. Todos estes métodos terão como base a Odontologia baseada em evidência.
09h30 - 10h15 Terapia Motora Oroafacial para DTM
Cláudia Felício
A principal característica DTM é a dor orofacial que tem impacto sobre o sistema estomatognático e causa sensação de limitação principalmente na função mastigatória. Apesar de estudos que relatam o alívio da dor e melhora da funcionalidade por meio de métodos conservadores, tais resultados não garantem que as funções orofaciais tenham sido reabilitadas. Uma vez que pacientes apresentam déficits nas habilidades motoras orofaciais e processos mal adaptados, a reabilitação deve envolver um treinamento motor específico, que possa converter comportamentos mal adaptados em novos programas motores e promover uma adaptação protetora. Essas são as metas da terapia motora orofacial para DTM, que será apresentada.
10h25 - 11h10 Fenotipagem dos pacientes de dor crônica: aplicação clínica
Paulo Conti
A terapia de pacientes crônicos sempre foi um desafio para ambos terapeutas e pacientes. A interdisciplinaridade e a necessidade de tratamentos combinados parece ser uma unanimidade. Esses conceitos são formulados a partir de critérios de diagnósticos bem elaborados e validados, assim como em estudos controlados e randomizados, o que se convencionou chamar de "Saúde Baseada em Evidências".
Com a evolução dos métodos de determinação do perfil somatossensorial, no entanto, abriu-se uma nova perspectiva de se adicionar uma outra variável como parte desse processo. Ainda, com a crescente e assumida participação dos fatores comportamentais nas dores, é possível se “fenotipar” os pacientes e determinar técnicas de tratamento baseado nos mecanismos de condução e manutenção das dores.
Apesar de complexa, essa abordagem objetiva oferecer terapias mais adequadas a cada perfil de paciente. Mas será que tudo isso já é uma realidade???
11h10 - 11h50 As DTM e a ortodontia: ainda existe espaço para discussão?
Bruno Furquim
A relação entre as DTMs e a Ortodontia continua polêmica. Por que será que alguns pacientes melhoram com a ortodontia enquanto outros pioram? A ortodontia pode ser uma aliada no tratamento do deslocamento de disco de pacientes em crescimento? Seria o padrão de crescimento crânio-facial o elo perdido entre as DTMs e as más-oclusões? Teremos a oportunidade debatermos estes e outros assuntos nesta ocasião.
11h50 - 12h00 Café
12h00 - 12h20 Discussão
12h20 - 13h50 Almoço
13h50 - 14h35 Dor Orofacial e suas interações sistêmicas
José Tadeu T. Siqueira
O espectro das doenças que causam dor orofacial é amplo e heterogêneo. Como exemplo, a mais conhecida dor, a dor de dente, pode ser causada por uma cárie de um dente que dói nele mesmo, ou que dói pela cárie do dente vizinho, ou mesmo que dói devido a tumor, que por sua vez pode ser adjacente ao dente ou distante dele. Nada de novo nisto: o fenômeno da dor referida é bem conhecido pelo dentista. Mas muitas vezes é um belo desafio clínico que surpreende o paciente e o próprio profissional.Mas o que intriga os cientistas, clínicos e pacientes é exatamente o fenômeno da dor referida. Há muitos anos são estudados seus mecanismos e gradativamente vamos aprendendo como ocorre e porque é fonte de tanta dificuldade clínica. Às vezes é o único e grande desafio no diagnóstico da dor. Como dor é um fenômeno de percepção central e multidimensional, ela não pode ser vista exclusivamente pela doença que a provoca. Neste sentido a semiologia da dor é diferente, pelo menos em parte, da utilizada para identificar uma doença que se manifesta por alteração de cor, volume, etc. A dor pode ser a única e invisível queixa.Nos últimos 20 anos a Equipe de Dor Orofacial do HC FMUSP desenvolveu até por necessidade do serviço uma linha de pesquisa que visava avaliar o impacto de uma dor orofacial no próprio indivíduo. Dor orofacial de origem dental pode causar dor referida, modular cefaleias primárias, afetar a resposta medicamentosa de pacientes com doenças reumatológicas de difícil controle e até afetar a cognição de pacientes com doença de Alzheimer.Esta apresentação procura mostrar o intrigante envolvimento da dor orofacial com o organismo. Usa para isso dados da literatura científica atual e alguns resultados de estudos realizados pelo grupo do HC. O valor clínico dessas interações é um alerta para o profissional que trata pacientes com dor crônica no segmento facial, mas não só nele.
14h35 - 15h15 Experiências emocionais x dor - como o corpo e a mente atuam na saúde e na doença
Eliane Rennó

Há mais de cem anos, a psicanálise vem desenvolvendo uma compreensão profunda do que são as diferentes formas de adoecimento psíquico e quais devem ser as estratégias para aprender a enfrentá-las.Neste aspecto, a forma como acontecem as experiências iniciais do bebê no vínculo parental tem uma considerável influência no desenvolvimento do indivíduo. As experiências iniciais, caso sejam vividas de modo desfavorável à saúde, trazem conseqüências muito significativas.

Wilfred R. Bion um autor da escola inglesa de psicanálise, em sua teoria sobre o pensar (1962), procurou ampliar nosso entendimento ao salientar que os pensamentos, as emoções e o conhecimento são indissociáveis. O pensamento é tido como doloroso, desde a sua origem mais primitiva. O aprofundamento dessa investigação, a partir da proposta teórica de Bion sobre o pensar, o conhecer e o aprender com as experiências emocionais, traz a possibilidade de um olhar diferenciado para as questões da dor e as implicadas situações psicossomáticas. O pensamento precede o conhecimento e nesse aspecto é imprescindível que haja na mente uma função vinculadora que dê sentido e significado às experiências emocionais.

Por que se adoece psiquicamente? Como tratar esses adoecimentos? Para responder alguns desses questionamentos, estaremos refletindo sobre o que interfere na saúde física e psíquica; buscando não apenas um conhecimento isolado de cada um dos aspectos envolvidos, mas estabelecendo as interações deste intrigante interjogo do nosso desenvolvimento.

15h15 - 15h25 Café
15h25 - 16h10 Ampliando o diagnóstico pela medicina antroposófica
Sérgio Lúcio Lopes
Serão abordadas as principais indicações de exames por imagens - com ênfase para CBCT e RM - para diferentes objetivos de estudo das articulações temporomandibulares ATM.
16h10 - 16h50 Modalidades Cirúrgicas da ATM - quando indicar e como proceder
Otávio Ferraz

Os distúrbios da articulação temporomandibular (ATM) podem se manifestar clinicamente através das Dores Orofaciais podendo levar a quadro incapacitante na realização das funções do sistema estomatognático. Uma abordagem de equipe multidisciplinar para o gerenciamento é essencial no cuidado fundamental de todos os pacientes com DTM, para que o tratamento possa ser adaptado especificamente às necessidades individuais do paciente. 
O binômio deformidades craniofaciais e doenças da ATM comumente coexistem. O diagnóstico e o tratamento das doenças associadas às deformidades dentofaciais e distúrbios da ATM coexistentes são complexos. Portanto, é muito importante compreender de forma abrangente as características comuns da cirurgia ortognática e da ATM, o que impõe uma maior demanda aos especialistas clínicos e cirurgiões. 
O objetivo é fornecer uma visão geral das estratégias de tratamento atuais disponíveis no manejo dos distúrbios cirúrgicos da ATM. As opções de tratamento conservador e cirúrgico serão discutidas.  

16h50 - 17h10 Discussão

 

Sábado - 27 de Novembro de 2021

08h50 Abertura da Sala
08h30 - 09h10 Fisioterapia no controle da disfunção temporomandibular
Rafael Tardin
Resumo em breve
09h10 - 09h55 DTM dolorosa e fatores epinegéticos
Laís Magri

Além do envolvimento genético, componentes ambientais, sociais e experiências de vida parecem ser igualmente importantes na patogênese de doenças crônicas, em especial naquelas com sintomatologia dolorosa, sugerindo uma possível interação genética-ambiental no desenvolvimento destas condições. A epigenética está relacionada a processos que regulam a expressão gênica sem afetar o código genético, ou seja, a composição do DNA. Através do controle de sequências gênicas sem modificação da sequência nucleica em si, células geneticamente idênticas são capazes de se distinguir fenotipicamente, dependendo de sua função, localização e nível de expressão.

Os mecanismos epigenéticos estão envolvidos na plasticidade sináptica, aprendizagem e memória, bem como em vários distúrbios neuropsiquiátricos, incluindo depressão e dependência de drogas, além da percepção nociceptiva e enfrentamento da dor crônica. Estão envolvidos neste processo de controle epigenético os seguintes mecanismos: metilação do DNA, modificações de histonas (por exemplo, acetilação, metilação, fosforilação e ADP ribosilação) e expressão de microRNAs (miRNAs). Mecanismos epigenéticos podem ser dinâmicos e responsivos a mudanças na experiência dolorosa, representando assim uma interação complexa entre um organismo e seu ambiente.

Os processos fisiopatológicos relacionados com a natureza multifatorial das DTMs dolorosas sugerem que distintos loci genéticos possam estar associados com a sua manifestação clínica, além das interações ambientais e fenótipo-específicas. Os indivíduos não são igualmente suscetíveis às DTM, independentemente do risco familiar. A manifestação clínica da DTM deve ser compreendida como uma resposta complexa e específica, com sinais e sintomas individualizados, podendo ser amplificados ou atenuados em função da composição genética e dos fatores epigenéticos atuantes.

Diversos estudos, dentre eles o OPPERA, já demonstraram polimorfismos genéticos do tipo SNPs (único nucleotídeo) associados com a manifestação das DTMs dolorosas, todavia os fatores epigenéticos modulam a expressão de tais genes, por meio de um sistema “liga/desliga”. Portanto, é necessário compreender quais são estes fatores e como eles modulam a expressão de genes associados com a DTM dolorosa.

Para finalizar, será apresentado um estudo que está sendo desenvolvido na USP/Ribeirão Preto com gêmeas monozigóticas discordantes para a DTM dolorosa, cujo objetivo é identificar por meio da metilação global do DNA possíveis fatores epigenéticos envolvidos com a expressão de fenótipos de dor crônica associados com a DTM dolorosa (caso-controle, coorte, prospectivo).

09h55 - 10h05 Café
10h05 - 10h50 Interface entre as cefaleias primárias e outras dores craniofaciais
José Speciali
Algumas cefaleias muito frequentes no cotidiano da população mundial são cefaleias primárias. Cefaleias primárias são caracterizadas por serem a própria doença, ao contrário de cefaleias que são sintomas que fazem parte da expressão clínica de outras doenças (sinusopatias, meningites, tumores cerebrais etc.).

As cefaleias primarias mais frequentes são a Enxaqueca (ou Migrânea) a Cefaleia Tensional, a Cefaleia em Salvas (Cluster Headache) e outras menos frequentes.

A Migrânea não é apenas uma dor de cabeça sendo constituída por fases bem estabelecidas: premonitória, aura, cefaleia, náuseas e/ou vômitos e pósdromo). A cefaleia pode até mesmo estar ausente. A Cefaleia Tensional se expressa apenas com cefaleia que é muito diferente da cefaleia da Migrânea. São as cefaleias mais frequentes na população e nos consultórios dos profissionais da saúde.

A Migrânea é uma doença encefálica hereditária e os pacientes herdam uma sensibilidade aumentada a certas situações chamadas de desencadeantes (hormônios femininos, estresse, alguns alimentos, alterações do sono, odores etc.). A cefaleia tensional, por outro lado está relacionada com dor miofascial do segmento cefálico e sensibilidade do encefálica aumentada.

As cefaleias e outras dores orofaciais partilham o núcleo trigeminal para expressar sintomas dolorosos sendo essa interface que iremos discorrer na nossa palestra.

Abordaremos os seguintes itens:
1. DTM e cefaleias primárias (CPs),
2. Dor miofascial do segmento cefálico e CPs,
3. Periodontite e outras dores odontológicas e CPs,
4. Bruxismo e CPs,
5. Sintomas clínicos de CPs que se manifestam como dores orofaciais,
6. Dor orofacial como sintoma adicional de CPs,
7. Neuralgias craniofaciais que se expressam com dor orofacial.

Nossa proposta é muito ampla, mas todos esses itens são fundamentais para o que o profissional da odontologia possa entender a sua responsabilidade na área da saúde a qual se dedica.

10h50 - 11h30 Ampliando o diagnóstico pela medicina antroposófica
Alexandre Rabboni
Resumo em breve
11h30 - 11h40 Café
11h40 - 12h00 Discussão
12h00 - 13h30 Almoço
13h30 - 14h15 Zumbido x DTM - É possível tratar?
José Stechman Neto
Em uma recente revisão de literatura os autores encontraram na maioria dos estudos, uma associação significativa entre zumbido e DTM. Essa relação é bidirecional, o que significa que pacientes com zumbido mais frequentemente apresentam DTM do que indivíduos sem zumbido e, vice-versa, pacientes com DTM apresentam zumbido mais frequentemente em comparação com indivíduos sem DTM. Considera-se que o zumbido, a percepção do som na ausência de um som externo, geralmente resulta de um distúrbio de: (1) o sistema auditivo (geralmente periférico, raramente central); (2) o sistema somatossensorial (cabeça e pescoço); ou (3) uma combinação dos dois. Sua causa pode ser determinada através de suas características. A história deve incluir a qualidade do zumbido: (1) (incluindo se pode ser pulsátil ou ter um componente de clique); (2) localização; (3) variabilidade; (4) “pitch” predominante (baixo ou alto); e (5) se o paciente pode fazer algo para modular o percepção. Quando o zumbido é bem caracterizado, da mesma forma que as DTMs, pode-se propor medidas terapêuticas mais efetivas com prognóstico mais efetivo, melhorando desta forma a qualidade de vidas dos pacientes.

Bousema EJ, Koops EA, van Dijk P, Dijkstra PU. Association Between Subjective Tinnitus and Cervical Spine or Temporomandibular Disorders: A Systematic Review. Trends Hear. doi:10.1177/2331216518800640, 2018 Mottaghi, A, Menéndez‐Díaz, I, Cobo, JL, González‐Serrano, J, Cobo, T. Is there a higher prevalence of tinnitus in patients with temporomandibular disorders? A systematic review and meta‐analysis. J Oral Rehabil. 2019; 46: 76– 86. https://doi.org/10.1111/joor.12706
Robert A. Levine, Yahav Oron, Chapter 23 – Tinnitus, Editor(s): Michael J. Aminoff, François Boller, Dick F. Swaab, Handbook of Clinical Neurology, Elsevier, Volume 129, 2015, Pages 409-4314.
14h15 - 14h55 Bruxismo: comorbidades e manejo clínico
Cibele Dal Fabbro
O Bruxismo do Sono pode ser primário ou secundário. O secundário tem sido denominado também de bruxismo comórbido, ou seja associado a alguma outra condição clínica. Esse bruxismo não é necessariamente secundário a tais condições clínicas, ou seja, não temos necessariamente causa e consequência, mas as das condições se sobrepõe, podendo coexistir e uma agravar a outra. É de extrema importância o reconhecimento dessas comorbidades frente ao Bruxismo do Sono para o melhor controle e manejo a longo prazo desses quadros clínicos coadjuvantes.
14h55 - 15h05 Café
15h05 - 15h55 Orofacial pain and sleep disturbances
Gilles Lavigne
Resumo em breve
15h55 - 16h15 Discussão
16h15 - 16h20 Café
16h20 - 16h35 Premiação de Trabalhos e Encerramento